
Segundo o Estado-Maior Geral da Ucrânia, a operação foi realizada em 25 de abril pelas Forças de Sistemas Não Tripulados e atingiu aeronaves russas Su-57 e Su-34 estacionadas no aeródromo de Shagol. A base fica a cerca de 1.700 quilômetros da fronteira ucraniana, na região dos Urais, o que reforça o alcance operacional dos sistemas não tripulados empregados por Kiev.
De acordo com o comunicado ucraniano, “vários caças Su-57 e um caça-bombardeiro Su-34” foram atingidos. O grau dos danos ainda estaria sendo avaliado. A confirmação independente da extensão dos danos permanece limitada, mas analistas do grupo Exilenova+ divulgaram uma imagem de satélite registrada em 26 de abril que, segundo eles, mostra os pontos onde as aeronaves estavam posicionadas antes de serem removidas.
Impacto estratégico além dos danos imediatos
Mais do que o número de aeronaves atingidas, o episódio tem relevância pela natureza dos alvos. O Su-57 é apresentado pela Rússia como seu principal caça de quinta geração, projetado para missões de superioridade aérea, ataque e operações em ambientes contestados. Já o Su-34 é um caça-bombardeiro amplamente utilizado em missões de ataque contra alvos terrestres.
A eventual perda, dano ou retirada temporária de serviço dessas plataformas pode gerar impacto operacional, especialmente em um contexto no qual a aviação russa precisa dispersar ativos, reforçar a defesa aérea de bases distantes e aumentar medidas de proteção em instalações antes consideradas menos expostas.
Shagol entra no mapa da guerra de longo alcance
O ataque a Chelyabinsk também amplia o mapa da guerra de drones. Até recentemente, ações de longo alcance ucranianas concentravam-se principalmente em bases aéreas, refinarias, depósitos e centros logísticos em regiões mais próximas do teatro de operações. A chegada de drones à parte central dos Urais indica que a profundidade estratégica russa está cada vez mais vulnerável a ataques assimétricos.
Para Moscou, isso cria um dilema defensivo. Proteger apenas bases próximas da Ucrânia já não é suficiente. Aeródromos distantes, centros industriais e instalações militares no interior do país passam a exigir camadas adicionais de vigilância, guerra eletrônica, defesa antiaérea e dispersão de aeronaves.
BREAKING:
Ukrainian long-range drones have destroyed 4 Russian fighter jets at Shagol Airfield in the Chelyabinsk region nearly 1800 km from the frontlines.
2 top-modern Su-57 fighters were destroyed along with a Su-34 fighter-bomber and another unidentified Sukhoi jet pic.twitter.com/DAcDLY4Gyf
— Visegrád 24 (@visegrad24) May 1, 2026
Su-57 já havia sido alvo em 2024
O episódio de Shagol não é o primeiro envolvendo o Su-57. Em 2024, a Rússia admitiu que drones ucranianos atingiram aeronaves desse modelo no aeródromo de Akhtubinsk, na região de Astracã. A repetição de ataques contra esse tipo de ativo evidencia a prioridade atribuída por Kiev à neutralização de aeronaves de alto valor simbólico, tecnológico e operacional.
Mesmo quando os danos são limitados, ataques desse tipo obrigam a Rússia a redistribuir recursos defensivos, alterar rotinas de operação e reduzir a previsibilidade da aviação em solo. Em termos militares, o efeito pode ir além da destruição física: trata-se também de impor custo, desgaste e incerteza à estrutura aérea russa.
Até o momento, o Ministério da Defesa da Rússia reconheceu ataques de drones na região de Chelyabinsk, mas não confirmou perdas de aeronaves no aeródromo de Shagol.
Fonte e imagens: Militarnyi | Exilenova+ | Estado-Maior Geral da Ucrânia Telegram @GeneralStaffZSU | Ministério da Defesa da Rússia Telegram @mod_russia








